Senhor Operário


Houvesse mesmo um tempo
Prática de costume ver o sol
Inclinado e partículas de pó
Sobrevoando as horas lentas


Cada livro em seu lugar
Tontura de ébrias serestas
Da noite passada no alto
De algum edifício no centro


Recrudescimento da cefaleia
Por volta do dia e tanto mais
Urgência de diversas mercês
Anoitece antes do entardecer


E a memória de um sol oblíquo
Em pleno anoitecer antecipado
Confunde mais exageradamente
As virtudes espalhadas no céu


Não são sistemas políticos
Não são as luzes, as buzinas
Somos eu e umidade do ar
Do lado de fora da fábrica

Filhos de mesmo destino
Arrependimento amargo
E grito de dolorido sonoro
Voz de mais advertências

Nós ainda não morreremos,
Agora não, senhor operário.
Talvez tenhamos algum tempo
Para bebermos outra garrafa

Ou beijarmos nossos amores
Assistirmos ao futebol na TV
Sentirmos aromas de frutas
Fumarmos um bom charuto

Talvez ainda sejamos felizes,
Sim, felizes e por que não!
Mesmo uma felicidade pouca
Seguimos caminhando juntos

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