O canto da Saíra Amarela
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| Foto: Flávio Cannalonga |
Um sol gigante torrava tudo ali ao meio dia. Os olhos mal se abriam e as testas enrugavam absolutas sobre os olhos. Ninguém sabia ao certo desde quando ou até quando a situação se dava ou se daria. Não havia como saber; esse não deixar saber parecia fazer parte de uma espécie de jogo psicológico, uma maldade muito bem engendrada no escritório da fazenda. Estavam todos com fome, estavam todos cansados da viagem. Muitas horas se passaram desde que os recolheram na Capital.
Um
moço calvo trouxe água e colocou num canto sem nada dizer. Todos
beberam. A água era fria na moringa de barro. Até um vento fresco
soprou de repente e ao mesmo tempo em que piava uma Saíra amarela
com seu canto de fonte jorrando. Parecia até que o mundo e a
montanha azulada lá no fundo queriam melhorar.
Mas
durou pouco. Logo apareceram uns homens dando ordens em todos como se
dá ordens em bichos de carga. Disseram poucas palavras mas se
fizeram entender. O trabalho era grande, pesado e longo. Quando
indagados do pagamento apenas olharam-se entre eles e riram como se
ri de uma anedota das melhores.
