Canto do Oleiro
No
barro,
navega
o gesto
o
ventre liso da
terra,
sua forma
imprevista
estuda
o
ângulo do braço,
gira
em contorno e
a
molda definitiva.
No
torno,
nem
um meneio,
um
respiro preso,
o
respeito ao ato,
o
resto do respiro
e
uma vida
na
lida com o método,
na
luta leve, o equilíbrio.
Não
há pressa no ofício,
há
engenho, um segredo.
No
forno,
incandesce
sua carne
e
luz e fogo se unem,
corpo
vivo em brasa.
Reluz
a alma do barro,
vive
sua origem maior
em
brasa e se enrijece.
Na
calma,
depois
do fogo extinto,
depois
do calor calado,
não
deixa de ser barro,
no
entanto é outra arte,
une
o homem e a terra,
o
profano e o sagrado.
André Merez
| André Merez - Autor de Vez do Inverso - Editora Patuá |